IA sem direção vira risco: governança, liderança e responsabilidade na era da inteligência artificial

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IA sem direção vira risco: governança, liderança e responsabilidade na era da inteligência artificial

Data: 9 de outubro de 2026

A inteligência artificial está se tornando rapidamente parte do cotidiano das organizações. Ferramentas generativas, copilotos, automações inteligentes e agentes digitais estão transformando a forma como trabalhamos, tomamos decisões e interagimos com clientes.

Mas dois episódios recentes amplamente divulgados pela imprensa mostram que a adoção acelerada da tecnologia está trazendo um novo tipo de risco organizacional.

Não necessariamente técnico. Mas estratégico, cultural e de governança.

Uma reportagem da StartSe relatou o caso em que Madhu Gottumukkala, chefe de cibersegurança dos Estados Unidos, enviou documentos confidenciais de contratos governamentais para a versão pública do ChatGPT. O episódio gerou questionamentos sobre segurança da informação e sobre como líderes estão utilizando ferramentas de IA em contextos institucionais.

Imagem da reportagem da StartSe com Madhu Gottumukkala
Imagem da reportagem da StartSe sobre Madhu Gottumukkala.

Outra reportagem publicada pela BBC aborda os óculos inteligentes Ray-Ban Meta Smart Glasses, desenvolvidos pela Meta. O dispositivo permite que usuários façam perguntas e interajam com inteligência artificial sobre o ambiente ao seu redor utilizando comandos de voz e capturas de imagem ou vídeo.

Segundo a empresa, quando conteúdos são compartilhados com a Meta AI, algumas dessas informações podem ser analisadas por revisores humanos terceirizados para melhorar a experiência do produto. Embora a Meta afirme que existe um processo inicial de filtragem para proteger a privacidade, incluindo técnicas como o desfoque de rostos, reportagens indicam que esse mecanismo nem sempre funciona perfeitamente, podendo permitir a visualização de pessoas nas imagens analisadas.

Além disso, muitos usuários podem não perceber que fotos e vídeos capturados pelos óculos podem ser revisados por humanos, já que essa informação aparece nas extensas políticas de privacidade e termos de uso da empresa. O caso levanta um debate importante sobre transparência, consentimento e governança no uso de tecnologias baseadas em inteligência artificial que coletam dados do mundo real.

Mark Zuckerberg demonstrando os óculos inteligentes da Meta, em imagem relacionada à reportagem da BBC
Imagem relacionada à reportagem da BBC sobre os óculos inteligentes da Meta.

O ponto central

Esses casos revelam um ponto importante: o erro não foi técnico. É de governança.

O problema não é a tecnologia

Casos como esse revelam uma confusão cada vez mais comum entre líderes.

Usar IA como ferramenta pessoal de produtividade não é a mesma coisa que utilizá-la em ambientes organizacionais críticos.

Uma coisa é pedir ajuda para resumir um texto ou gerar ideias. Outra completamente diferente é inserir dados sensíveis, documentos internos ou informações estratégicas em sistemas que não foram avaliados sob a perspectiva de segurança, governança ou conformidade.

A tecnologia pode funcionar perfeitamente. Mas, se não houver critérios claros sobre quando usar, como usar e onde não usar, o risco passa a ser institucional.

IA sem política vira passivo

O ponto central não é demonizar a tecnologia. A inteligência artificial tem potencial enorme de aumentar produtividade, melhorar experiências e acelerar inovação. Mas existe uma realidade que muitas organizações ainda estão descobrindo na prática:

IA sem diretriz, sem treinamento e sem limites claros vira passivo institucional.

Sem políticas claras de uso, surgem problemas como:

  • Compartilhamento indevido de dados;
  • Decisões automatizadas sem supervisão;
  • Uso de ferramentas sem avaliação de risco;
  • Dependência excessiva de respostas geradas por IA;
  • Exposição de informações estratégicas.

Quando isso acontece, a eficiência prometida pela tecnologia pode se transformar rapidamente em:

  • Risco reputacional;
  • Risco jurídico;
  • Risco de segurança;
  • Risco estratégico.

IA não é só tecnologia

Um dos maiores equívocos na adoção de inteligência artificial nas organizações é tratá-la apenas como uma ferramenta tecnológica. Na prática, a IA impacta muito mais do que sistemas. Ela impacta:

  • Cultura organizacional;
  • Tomada de decisão;
  • Fluxo de trabalho;
  • Relação com clientes;
  • Responsabilidade institucional.

Por isso, é importante reconhecer algo essencial:

IA não é só tecnologia. É decisão, cultura e responsabilidade.

Quando líderes não entendem os limites da ferramenta, a eficiência vira exposição.

Quando não existe governança, a inovação vira risco.

E quando não há alinhamento estratégico, o uso da tecnologia vira uma coleção de experimentos isolados.

Um caminho possível: preparar a liderança

Foi exatamente a partir dessa necessidade que surgiu um trabalho que tivemos a oportunidade de conduzir recentemente com a Solutis Tecnologias.

A demanda inicial da organização não era apenas sobre inteligência artificial. A Viviane Sant’Anna, com seu time, e Paulo Marcelo estavam buscando fortalecer a cultura organizacional, revisitando valores e refletindo sobre como esses valores se traduzem na prática do dia a dia.

Durante as conversas iniciais, um tema começou a aparecer com frequência nas discussões da liderança: o posicionamento AI First da organização.

A liderança percebeu que a inteligência artificial tem papel estratégico no futuro da empresa, mas também reconheceu que isso exigia algo mais profundo do que apenas adotar ferramentas.

Era necessário criar entendimento, alinhamento e responsabilidade.

Foi então que construímos uma proposta que uniu os dois temas.

Cultura organizacional e inteligência artificial passaram a ser trabalhadas de forma integrada.

O AI Leadership Workshop com a Solutis

O trabalho desenvolvido com a Solutis partiu de um briefing muito claro: desenvolver e inspirar líderes para potencializar resultados por meio da adoção consciente e estratégica da inteligência artificial. Para isso, estruturamos a jornada a partir de três pilares que orientaram toda a construção coletiva: AI First, liderança e cultura. A proposta não era apenas discutir tecnologia, mas refletir sobre como a inteligência artificial poderia fortalecer a identidade e os valores da organização.

Os três pilares que guiaram o AI Leadership Workshop
Os três pilares que guiaram o programa.

O processo aconteceu ao longo de seis encontros com 130 pessoas da liderança tática da organização. Aproveitamos uma reunião já recorrente da liderança, realizada semanalmente às sextas-feiras, e estruturamos os encontros dentro desse espaço existente.

Cada sessão foi construída para trabalhar dois elementos em paralelo:

  1. Reflexão sobre os valores e a cultura da organização;
  2. Aplicação prática desses valores no contexto da inteligência artificial.

A proposta não era apenas discutir tecnologia, mas refletir sobre como a inteligência artificial poderia fortalecer a identidade e os valores da organização. Ao longo de seis encontros, conectamos os temas da IA diretamente aos valores da Solutis, promovendo discussões sobre AI e Liderança Humanizada, AI com Ética e Transparência, AI para Surpreender e Entrega de Valor, Aprendizado Contínuo com AI, Provocações com AI e Transformação com AI.

A pergunta que guiava as discussões era simples e profunda: como colocamos nossos valores em prática no uso da IA?

Cada encontro funcionou como um espaço de reflexão e construção prática, ajudando a liderança a compreender não apenas as oportunidades da tecnologia, mas também os limites, responsabilidades e decisões estratégicas necessárias para integrar a inteligência artificial de forma consistente na cultura e nas práticas da organização.

O processo foi idealizado por mim, Mayra de Souza 🚀, com o apoio de Denise S. Dariva, e contamos com a parceria do Time de Staffing, representado por Wagner Drumond e Cinara Castilho, que contribuíram para estruturar e viabilizar essa jornada junto à liderança da organização.

Registros do AI Leadership Workshop realizado com 130 líderes da Solutis
AI Leadership Workshop: uma jornada construída com a liderança da Solutis.

Ao longo dos encontros, exploramos temas como:

  • Responsabilidade no uso da tecnologia;
  • Impacto da IA no trabalho das pessoas;
  • Oportunidades de automação e eficiência;
  • Limites éticos no uso da tecnologia;
  • Riscos de segurança e governança;
  • Papel da liderança na adoção responsável da IA.
Depoimentos de participantes do AI Leadership Workshop com a Solutis
Depoimentos sobre a experiência com a Solutis.
Depoimentos de participantes do AI Leadership Workshop com a Solutis
Relatos e aprendizados dos participantes.
Depoimentos sobre o programa de liderança e inteligência artificial da Solutis
Experiências e reflexões geradas ao longo do programa.

AI First também exige consciência

Cada encontro começava com um momento chamado AI First Moment. Nesse espaço, integrantes da liderança executiva compartilhavam aprendizados, exemplos ou reflexões sobre inteligência artificial.

Essa prática ajudou a criar algo muito importante: troca de conhecimento entre os próprios líderes.

Além disso, a liderança também atuou como facilitadora nos momentos de trabalho em grupo, apoiando a condução das discussões e estimulando reflexões coletivas.

Mesmo com um tempo relativamente curto para as atividades, os encontros foram extremamente dinâmicos e produtivos.

Mais do que discutir tecnologia, o processo ajudou a construir algo fundamental: consciência coletiva sobre o uso da inteligência artificial.

Inovar com parcimônia

Um dos pontos mais importantes das discussões foi reconhecer que adotar inteligência artificial não significa usá-la de forma indiscriminada.

A liderança discutiu a necessidade de encontrar equilíbrio entre dois movimentos:

  • Incentivar o uso da tecnologia para melhorar o trabalho das pessoas;
  • Manter critérios claros sobre limites, riscos e governança.

Isso envolve definir aspectos como:

  • Políticas de uso de IA;
  • Diretrizes para uso com dados de clientes;
  • Limites para compartilhamento de documentos;
  • Critérios para automação de decisões;
  • Estrutura de supervisão e auditoria.

Ou seja, criar estruturas robustas que permitam inovação com responsabilidade.

A importância de estruturar a jornada

Experiências como essa mostram que a adoção de IA nas organizações não pode ser tratada como um projeto pontual. Ela precisa ser construída como uma jornada estruturada. E é exatamente nessa direção que temos visto uma demanda crescente nas organizações.

Cada vez mais empresas estão percebendo que precisam preparar suas lideranças para lidar com essa transformação.

Por isso estruturamos também o AI Journey Program, um programa que apoia organizações em diferentes estágios da adoção da inteligência artificial.

Essa jornada inclui módulos como:

AI Literacy
Letramento e entendimento estratégico sobre inteligência artificial.

AI Strategy & Governance
Definição de diretrizes, governança e políticas de uso.

AI for Leadership
Preparação da liderança para decisões e uso responsável.

AI Applications
Identificação de oportunidades práticas de aplicação.

AI Transformation
Construção de capacidades organizacionais sustentáveis.

Confira os dois cronogramas do AI Journey Program, de acordo com as necessidades e a maturidade da organização:

Cronograma do programa com foco em construir conhecimentos e os pilares necessários para iniciar uma jornada evolutiva de IA
Cronograma com foco nos fundamentos e nos pilares para iniciar a jornada de IA.
Cronograma do AI Journey Program com foco em elevar a maturidade em inteligência artificial
Cronograma com foco na evolução da maturidade em IA.

Cada organização percorre uma jornada de acordo com seu momento de maturidade.

O futuro da IA nas organizações

A inteligência artificial vai continuar evoluindo rapidamente. Novas ferramentas, novos modelos e novas possibilidades continuarão surgindo. Mas a questão central para as organizações não será apenas acompanhar essa evolução tecnológica.

Será desenvolver algo ainda mais importante: maturidade para utilizá-la com responsabilidade.

Porque a verdadeira vantagem competitiva não virá apenas da tecnologia.

Ela virá da capacidade de alinhar:

  • Estratégia;
  • Governança;
  • Ética;
  • Cultura;
  • Liderança.

Em torno do uso consciente da inteligência artificial.

Uma pergunta final para líderes

Se hoje sua organização utiliza inteligência artificial, vale fazer uma reflexão simples.

Você tem clareza sobre:

  • Quando usar IA?
  • Quando não usar?
  • Quais dados podem ser utilizados?
  • Quais decisões devem permanecer humanas?
  • Quais riscos estão sendo monitorados?

Se essas respostas ainda não estão claras, talvez o maior desafio não seja tecnológico.

Talvez seja de liderança e governança.

Porque, no fim das contas, a inteligência artificial não decide sozinha.

Ela amplifica as decisões humanas.

E isso exige algo que nenhuma tecnologia pode substituir: responsabilidade.


IA com governança e propósito: um encontro exclusivo para C-Levels

IA na Prática: encontro exclusivo para C-Levels

Para aprofundar essa conversa e transformar reflexão em ação, estou organizando um Encontro Exclusivo para C-Levels com o tema “IA na Prática: como engajar sua equipe da conscientização estratégica à execução técnica, com foco em governança, ética e resultados.”

A inteligência artificial já deixou de ser tendência: ela já está na agenda das lideranças que tomam decisões estratégicas. O desafio agora é como adotar IA com critério, segurança e alinhamento cultural, sem expor a organização a riscos e sem deixar as equipes para trás.

Nesse encontro restrito, líderes poderão vivenciar uma experiência colaborativa em que discutiremos governança, ética, engajamento das equipes e caminhos práticos para transformar estratégia em execução.

Se sua organização também está enfrentando esse gap entre intenção e prática, esse é um convite para avançarmos juntos nessa jornada. As vagas são limitadas e, para organizações que desejam estruturar essa transformação de forma consistente, também abrimos espaço para conversas sobre programas personalizados e propostas de implementação.

Sua organização está preparada para transformar a estratégia de IA em prática responsável?

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